Ela em um único eu

Ela, em um único eu.

A garota podia ser completa em sua adolescência. Envolta por companhias as quais só ela poderia sentir, ouvir, enxergar, Caminhava na estrada dos dias sem se importar com o silêncio acompanhado pela solidão que a rodeavam.

Considerada uma pessoa estranha, afastava-se das pessoas na escola, se encolhia ao sentir a aglomeração de vozes a sua volta. Ela preferia viver com os pensamentos em mundos inexistentes criados a partir de ficções históricas.

Ocultava todos os seus medos quando as luzes se apagavam, fazendo-se noites frias e vazias. Todo um comportamento estranho em prol da fuga de sua realidade.

Sonhos distantes do presente, enxiam seu coração de menina de uma virtude inigualável. Ela sentia que poderia apegar-se a cada página dos diversos livros que lia, eles jamais a decepcionariam.

Até certo tempo, ninguém a notava. Mas a garota com olhos distantes preferia desta maneira. Tinha uma abismada convicção de que não era parte desta maça que a envolvia por todo canto com conversas e atitudes consideradas por ela estúpidas.

Mas os anos se passaram, e com eles a pequena estranha se tornou uma jovem atraente, provocando desejos, fantasias e ainda sem notar, esbanjando sensualidades.

Dona de um corpo escultural, com seios fartos capazes de chamar a atenção mesmo cobertos por roupas largas, caminhava sobre pernas torneadas, em movimentos estonteantes articulados em uma cintura fina, bem trabalhada.

Os seus instintos de mulher, adoravam ser desejados. Mas algo dentro de si a impedia de acreditar em qualquer amor oferecido a ela.

Por vários meses ignorava as pessoas que tentavam se aproximar, tapava os ouvidos aos vários elogios oferecidos por meninos e meninas no jogo da conquista. Mas os vários desejos gritavam dentro de si, implorando por serem saciados.

Derrotada por uma luta incansável com sigo, a menina que agora se fazia mulher se deixou levar.

Conheceu pessoas, mergulhou em uma vida social. Amigos, histórias das quais ela se fazia presente, um mundo real do qual ela se recusou a conhecer durante a infância e adolescência.

Foi admirada, admirou, Foi odiada, odiou, aprendeu sobre competição e rivalidade.

Se doar as pessoas as quais aprendeu a amar foi seu maior prazer.

Por vezes, abriu mão de si para ver sorrisos em outros rostos.

Sim: ela amou. Amou com todas as suas forças, forças estas que nem ela conhecia. Experimentou sensações indescritíveis, em atrações irresistíveis.

 Conheceu a traição, a mentira. Muitas vezes vindas da boca que tanto a acariciou.

Ciente da conveniência com que as pessoas praticam seus atos, munidos de interesses individualistas, a menina que agora se tornou mulher, procura o caminho para regressar.

Aos seus mundos inexistentes, aos sonhos distantes do presente, Aos livros. Incapazes de decepciona-la.

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