Imensidão

Aos 23 ela não é considerada pelos olhares e mentes munidos pelo julgamento uma jovem normal.
Aos 23 ela situa-se em uma sintonia diferente, ou indiferente. Talvez. Ela não tem concordância com as garotas de sua idade, tão pouco idades inferiores. Suas prioridades a afastam do que é considerado interessante no auge do agora.
Ela sente-se confortável ao lado dos vividos, experientes. Rotulados pelos adolescentes/jovens os velhos.
Sua energia é o único fator em pé de igualdade com os novos. Isto é inevitável, a ciência explica…
Ela perde-se em livros, viaja por diversos países em sua sensibilidade. Seus medos são tão realistas quanto seus sonhos e o medo faz parte do corriqueiro em seu dia-a-dia.
Ela preocupa-se com a falta de interesse das crianças, com a ingratidão nos adolescentes. Ela aperta com toda a força em seus braços as conquistas de hoje, Pois muitas lhes faltaram no antes.
Ela guarda em um relicário todas as suas recordações e a certo ponto isto a remete a desconfortos desnecessários. Existem itens sem a necessidade de serem guardados e este é um aprendizado em sua lista de espera. Sim, ela não é sábia. São as suas prioridades que a tornam diferente, mas diferente não é sinônimo de melhor ou pior. Os traumas provocados por acontecimentos do passado também implicam na formação de sua personalidade.
Ela é alegre, ela é feliz, ela é triste. Ela reconhece que a tristeza e a felicidade não são sensações de longa durabilidade. As luzes necessitam das trevas para existir…
Ela é um ser humano colecionando erros e acertos como qualquer outro e como qualquer outro ser em constante evolução, coleciona julgamentos, seleciona para si o que é certo ou errado.
Os novos na empolgação do agora a incluíram ao underground do ontem.
Mas ela é intensa e toda esta onda de classificações torna-se indiferente quando perdida em sua imensidão.

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